Uma investigação da Consumer Reports sobre 23 produtos populares mostra que mais de dois terços deles excedem em mais de dez vezes a ingestão diária de chumbo considerada segura. Veja o que você precisa saber antes de tomar seu próximo shake.
Quinze anos após os testes iniciais, a Consumer Reports voltou a analisar os suplementos proteicos vendidos nos Estados Unidos. As conclusões são ainda mais preocupantes do que em 2010: as concentrações médias de chumbo aumentaram e, atualmente, menos produtos contêm níveis indetectáveis desse metal pesado.
Resultados assustadores
Dos 23 suplementos de proteína em pó e bebidas proteicas analisados, mais de 70% continham mais chumbo por porção do que os especialistas em segurança alimentar consideram aceitável para um dia inteiro. O limite de preocupação da Consumer Reports é de 1,5 mg/kg. 0,5 microgramas de chumbo por dia, valor derivado das regulamentações da Proposição 65 da Califórnia, reconhecida como uma das mais protetivas do mundo.
Produtos mais problemáticos: O suplemento Mass Gainer (vegano) da Naked Nutrition continha 7,7 microgramas de chumbo por porção, ou 1 572% do limite de preocupação. A edição Black da Huel continha 6,3 microgramas, representando 1 288% desse mesmo limite. Os especialistas desaconselham veementemente o seu consumo.
Outros dois produtos, o Sport Organic Plant-Based da Garden of Life e o 100% Plant Protein da Momentous, apresentaram níveis entre 400% e 600% do limite, justificando um limite de uma porção por semana. Além disso, três produtos também excederam os limites de preocupação para cádmio e arsênio inorgânico, duas substâncias classificadas como prováveis ou comprovadamente cancerígenas.
As proteínas de origem vegetal são as mais afetadas.
Os pós de ervas apresentaram níveis médios de chumbo. nove vezes maior Os níveis de contaminantes em proteínas de origem vegetal são duas vezes maiores do que em produtos lácteos (soro de leite) e duas vezes maiores do que em proteínas de origem bovina. A principal explicação reside na própria natureza das plantas: elas absorvem naturalmente os contaminantes presentes no solo, na água e no ar. As ervilhas, base da maioria das proteínas vegetais testadas, são particularmente suscetíveis a esse fenômeno.
"É preocupante que esses resultados sejam ainda piores do que em nossos testes anteriores."
Tunde Akinleye, pesquisador de segurança alimentar, Consumer Reports
O processo industrial de transformação de ervilhas em proteína em pó envolve diversas etapas que podem introduzir contaminantes: moagem, mistura com água, acidificação e secagem por aspersão. Em cada etapa, equipamentos ou água sem controle adequado podem ser uma fonte adicional de chumbo.
Não há motivo para pânico, mas é necessário manter a vigilância.
Especialistas fazem questão de enfatizar que os níveis detectados permanecem bem abaixo das doses que poderiam causar um efeito imediato. Mas é a exposição crônica que preocupa. O chumbo se acumula no corpo ao longo do tempo e tem sido associado a problemas renais, cardiovasculares e neurológicos em adultos. Mulheres grávidas e crianças continuam sendo as mais vulneráveis. No entanto, diferentemente do chocolate amargo ou do chá de bolhas consumidos ocasionalmente, o suplemento de proteína em pó faz parte do dia a dia de milhões de pessoas.
Surge também a questão de saber se esses suplementos são realmente necessários. A resposta dos nutricionistas é inequívoca: a maioria dos americanos já consome proteína suficiente através da alimentação. Os homens consomem, em média, 155% da ingestão diária recomendada, e as mulheres, 135%.
Regulamentação insuficiente
Ao contrário dos medicamentos, os suplementos alimentares não são aprovados nem testados pela FDA antes de serem comercializados. Não existem limites federais para a presença de chumbo em proteínas em pó. Os fabricantes fazem a autoavaliação, e a FDA inspecionou apenas 600 dos aproximadamente 12.000 produtores registrados em 2024. Um relatório de 2023 do Escritório de Responsabilidade Governamental (GAO) já havia destacado essa falta de supervisão e solicitado o aumento dos poderes da agência.
O que pode ser feito na prática?
Recomendações de especialistas:
- Limite a frequência de consumo e evite o uso diário da maioria dos suplementos de proteína em pó.
- Opte por produtos com proteína láctea (soro do leite) em vez de fórmulas à base de plantas, que geralmente são menos contaminadas.
- Procure marcas que publiquem os resultados de seus testes de metais pesados (raro: Momentous e Transparent Labs o fazem).
- Prepare seus próprios shakes usando alimentos integrais ricos em proteínas: iogurte grego, manteiga de amendoim, tofu, leguminosas.
- Mulheres grávidas e crianças: evitem estes produtos por precaução.
Em última análise, os suplementos de proteína em pó não são essenciais nem inofensivos. Antes de incorporá-los à sua rotina diária, vale a pena considerar se os benefícios esperados compensam a maior exposição a metais pesados, algo que sua dieta normal não proporciona.