Pernas pesadas

A sensação de pernas pesadas geralmente se deve a uma disfunção venosa caracterizada pelo retorno insuficiente de sangue ao coração, em decorrência de uma alteração na parede das veias afetadas.

Além das causas mencionadas abaixo, a falta de movimento das pernas durante uma viagem de carro ou avião, quando as condições não são boas (impossibilidade de esticar as pernas, espaço reduzido ao redor, classe econômica), é uma das causas de pernas pesadas ou simplesmente dor nas pernas.

A insuficiência venosa crônica (funcionamento inadequado das veias) e o desenvolvimento de varizes afetam um grande número de mulheres e homens em todo o mundo. Esses números aumentam com o envelhecimento da população, visto que apenas 10% das mulheres com menos de 20 anos são afetadas, enquanto 40% das mulheres com mais de 40 anos e 70% das mulheres com mais de 80 anos sofrem com essa condição.

Anatomia e função das veias nos membros
A parede das veias (assim como a das artérias) é composta por três camadas: o endotélio, a média e a adventícia.
A função das veias é trazer o sangue de volta ao coração. Possuem válvulas que obrigam o sangue a circular da periferia para o centro do corpo, ou seja, em direção ao coração (ou seja, da superfície para o interior).

O mecanismo
A circulação venosa dos membros inferiores é composta pela circulação venosa profunda e pela circulação venosa superficial (veias safenas interna e externa). Os dois sistemas são unidos pelas veias comunicantes. É a rede superficial a responsável pelas veias varicosas.
Quando o retorno do sangue (refluxo venoso) é significativo, estabelece-se uma tensão no interior da veia responsável por distúrbios nos vasos muito pequenos (microcirculação) e na pele, levando à insuficiência venosa crônica.

As causas
Existem fatores que favorecem o aparecimento de circulação venosa insuficiente:

  • História familiar (fator de risco mais importante)
  • Posição prolongada
  • obesidade
  • Era
  • O sexo feminino
  • O papel dos hormônios sexuais
  • A gravidez
  • Contracepção oral (pílula)
  • Terapia de reposição hormonal (tomar hormônios para repor os que faltam) durante a menopausa, por exemplo
  • Exposição prolongada a uma fonte de calor
  • Estilo de vida sedentário (falta de movimento)
  • Roupas muito apertadas
  • Salto alto
  • Praticar determinados esportes (corrida)

Os sintomas

  • Pernas pesadas
  • Sensações de parestesia (formigamento, formigamento)
  • Cãibras musculares
  • Aparecimento de telangiectasias (minúsculos vasos em forma de estrela de cor vermelha ou arroxeada)
  • Edema ao nível dos maléolos (ossos do tornozelo) ao final do dia ou após uma longa imobilização (deslocamento sentado sem parar), que normalmente deve desaparecer ao caminhar ou ao elevar as pernas
  • Aumento do volume do tornozelo
  • Distúrbios da pele: a passagem de eritrócitos (glóbulos vermelhos) pela pele causa inflamação, e sua ruptura libera pigmentos contendo ferro que se depositam nas camadas superficiais da derme (camada intermediária da pele). Esses distúrbios da pele também são acompanhados por comprometimento da microcirculação (pequenos vasos sanguíneos), levando ao afinamento dos capilares (os minúsculos vasos sanguíneos da espessura de um fio de cabelo). Esse afinamento é caracterizado por uma aparência esbranquiçada da pele em pessoas com insuficiência venosa.
  • O aparecimento de úlceras de cicatrização muito lenta, correspondentes ao estágio final da doença, está relacionado a distúrbios de coagulação sanguínea.
  • Às vezes sem sintomas

exames complementares

  • O ultrassom com Doppler colorido deve ser solicitado como exame de primeira linha.
  • Procurar:
    • açúcar no sangue
    • fatores de risco (colesterol, triglicerídeos, etc.)
    • fatores de coagulação sanguínea (proteína S, proteína C, antitrombina 3)
  • Monitorar a pressão arterial

A classificação
Com base nos sintomas, é estabelecido um sistema de classificação denominado classificação CEAP, que leva em consideração:

  • Sintomas apresentados pelo paciente (classificados de 0 a 6)
  • A origem da insuficiência venosa (etiologia)
  • Anatomia, ou seja, a extensão das lesões que afetam as veias superficiais, as veias profundas ou ambas simultaneamente.
  • Resultados do ultrassom Doppler colorido
  • Com relação à presença ou ausência de um trombo (coágulo sanguíneo na veia)

1) Sinais clínicos

  • C0: sem sinais visíveis de doença varicosa
  • C1: Telangiectasia, ± significativa
  • C2: Edema localizado ao nível dos maléolos no final do dia, com dor.
  • C3: veia exibindo formato de variz visível a olho nu
  • C4: Distúrbios de pele com aparecimento de descoloração devido à pigmentação, acompanhados de eczema.
  • C5: Úlceras cicatrizadas
  • C6: úlceras ativas

2) A origem

  • EC: insuficiência venosa presente desde o nascimento
  • Ep: doença de origem primária
  • Es: doença que ocorre após um trauma, um distúrbio de coagulação (coágulo sanguíneo)

3) Ultrassom Doppler

  • Como: envolvimento venoso superficial visível no ultrassom Doppler
  • Anúncio: envolvimento do sistema venoso profundo
  • Ap: danos às veias perfurantes

4) O mecanismo

  • Pr: refluxo venoso
  • Po: obstrução na veia (coágulo sanguíneo)
  • Pr,o: refluxo + obstrução

prevenção

  • Vitamina E: alguns autores observaram que populações na Ásia eram protegidas contra insuficiência venosa devido à sua dieta rica em vitamina E.
  • Atividade física sem excessos
  • Elevar as pernas durante o sono
  • Prática moderada de certos esportes (ciclismo)

Possíveis complicações
A má circulação sanguínea na pele devido à insuficiência venosa pode levar a:

  • Uma condição de pele:
    • eczema
    • úlcera varicosa (perda localizada de pele devido a um problema circulatório)
    • dermatite pigmentar (alteração na cor e estrutura da pele)
    • Erisipela: infecção cutânea de origem bacteriana (estreptococo beta-hemolítico), que também pode afetar os tecidos localizados abaixo da epiderme (derme e hipoderme). A erisipela clássica consiste em uma erupção cutânea vermelho-vivo, acompanhada de febre alta (em torno de 40°C).
  • Distúrbios de coagulação sanguínea:
    • varizes (dilatação venosa significativa com perda de elasticidade da parede)
    • sangramento
    • flebite (coágulo sanguíneo em uma veia)

Tratamento

  • Contenção venosa com meias adequadas
  • Cuidados com a pele usando cremes apropriados
  • Veinotônicos (medicamentos contendo, entre outras coisas, vitaminas do grupo PP)
  • Monitoramento da circulação sanguínea em geral, com uso de anticoagulantes (antivitamina K) se necessário.
  • Monitoramento da ocorrência de trombose
  • Caminhada, atividade esportiva
  • Alterar o modo de aquecimento
  • Drenagem linfática